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Roda de conversa com as mulheres: um espaço de resiliência e de transformação



Na HAJA, toda segunda-feira é dia de roda de conversa com as mulheres da comunidade de 4 Rodas em Jardim Gramacho. Nesse espaço elas se reúnem com a intenção de construir novas possibilidades juntas. Através das trocas e do fortalecimento mútuo podem se reconhecer como condutoras de ação e mobilização.


Na roda, as colocações de cada mulher têm som e vez. Em interação uma com as outras, seus problemas saem do esquecimento social. Elas podem ser vistas, ouvidas e compreendidas. Em muitos momentos uma fala complementa outra, pois grande parte de seus desafios são elementos da estrutura da própria sociedade: desigualdade de gênero, de raça, redução de acesso a saúde e educação, pobreza extrema, mortalidade infantil, violência social, doméstica, criminalidade, injustiça, evasão escolar. Nesse momento de troca, os problemas podem ser compartilhados, analisados e até ultrapassados. Há espaço, também, para o que não é compreendido, para discordarem, para ensinarem e aprenderem.


Percebemos que a roda de conversa é uma potente estratégia de mudanças sociais. Tendo em vista que é um espaço de formação horizontal, de troca de experiências, de confraternização, de desabafo. Tem o poder de mudar caminhos, expandir percepção e forjar opiniões. Em grande parte, isso acontece, pois, a roda de conversa constitui-se em um lugar, também, de aumento da resiliência. Sendo assim, este é um momento potencializador da capacidade de enfrentar adversidades, mesmo se afetando por elas, torna-se possível superá-las.


Essa roda permite o crescimento de uma série de fatores essenciais para o desenvolvimento da resiliência. Dentre esses estão a sensação de pertencimento a um grupo ou uma causa, a percepção aprofundada sobre o contexto e sobre si, a criação de estratégias de fortalecimento e de encorajamento para se confrontar o que é possível. E por fim, a criação de um espaço de colaboração e de ajuda recíproca que permite o desenvolvimento de uma postura proativa frente às inúmeras provocações.


Assim, toda segunda-feira nossa CEO, Nadia Barbazza, acompanha a roda de conversa dessas mulheres que resistem, que se superam e vão além. A partir dessas rodas, podemos ver mudanças graduais em suas casas, na forma como relacionam com seus filhos e seus familiares. Podemos notar mudanças na própria comunidade, como o estabelecimento de novas regras para o controle de doenças que estavam sempre afetando as crianças. Outra conquista importante que marca a força da roda para a comunidade foi a primeira denúncia de violência doméstica à polícia. Passos admiráveis e que mostram a importância da união e da mobilização das mulheres de Jardim Gramacho.


O educador Paulo Freire, um dos responsáveis pela criação e disseminação mundial da roda de conversa como metodologia pedagógica, acredita que não basta querer mudar a sociedade, é fundamental saber como gerar mudanças sociais na direção da igualdade de oportunidades e de liberdade para todas e todos.


A HAJA, também, acredita nisso, saber como gerar mudanças é o que diferencia nossa abordagem e as rodas de conversa com essas mulheres, que tanto admiramos, têm sido um espaço potente e resiliente capaz de gerar transformações necessárias no dia-a-dia de suas comunidades. Seguimos com elas!


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